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title: "Maioria mente na terapia: qual o problema disso e como se expressar melhor"
description: Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Columbia (EUA) revelou que 93% dos participantes já mentiram para o terapeuta. Saiba mais!
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# [Maioria mente na terapia: qual o problema disso e como se expressar melhor](https://instituicao.fundacred.org.br/news/maioria-mente-na-terapia-qual-o-problema-disso-e-como-se-expressar-melhor)

 Written by [Redação](https://instituicao.fundacred.org.br/news/author/redação) | Mar 18, 2024 1:17:20 PM

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Columbia (EUA) mostrou que mentir na terapia é algo comum. Publicada em 2015, a pesquisa pediu para que 547 pessoas respondessem a um questionário online e revelou que 93% dos participantes já mentiram para o terapeuta.

Entre as inverdades ditas aos profissionais, as mais comuns incluem afirmações sobre gostar dos comentários feitos por psicólogos/psiquiatras, criar falsas justificativas para quando se atrasou ou faltou às sessões e fingir considerar o tratamento eficaz. Há quem ainda encubra sentimentos e desejos, como o de querer encerrar a terapia.

Agora, sobre os motivos para essas lorotas, o que mais se ouve dos pacientes ao serem questionados é:

- Querer ser educado, agradar, impressionar ou não chatear o terapeuta;  
- Evitar desconfortos e constrangimentos;  
- Desviar o foco de assuntos complexos, íntimos ou muito traumáticos;  
- Não ser tratado de forma "diferente", como alguém incompreendido;  
- Temer ser encaminhado para uma clínica ou hospital psiquiátrico;  
- Negar insegurança, minimizar sofrimentos e abusos, não ser criticado.

Mas saiba que mentir em terapia não é nada positivo, por mais que a intenção possa parecer, digamos, louvável.

Por que é melhor ser verdadeiro?

Honestidade é fundamental para o crescimento pessoal e sucesso do tratamento, afirma Flávio Henrique Nascimento, psiquiatra pela UFPI (Universidade Federal do Piauí). Tanto paciente, quanto terapeuta, devem trabalhar juntos pela confiança e compreensão mútua. "Com informações falsas ou incompletas, a relação acaba minada, o direcionamento fica limitado e o progresso prejudicado", diz o médico.

Na prática, autoconhecimento, desenvolvimento de habilidades, enfrentamento de situações e mudanças são atrasados ou impedidos. "O principal prejudicado com as mentiras é o próprio paciente, que pode ficar também com uma ideia de desvalorização da terapia, pensando que ela não serve para ajudá-lo", completa Larissa Lauriano, psiquiatra e professora da Afya Educação Médica de Fortaleza.

O risco de se receber diagnósticos e prescrições erradas também aumenta. Se envolver falsos sintomas ou melhoras, medicamentos sem necessidade podem ser utilizados ou então descontinuados. Há risco até de receber alta antecipada.

Tem mais. Caso a mentira seja descoberta, o psicólogo pode ficar numa posição ética delicada, principalmente se estiver envolvido em casos de confidencialidade e proteção ao paciente. Portanto, a advertência para não inventar vale tanto para quem mente, como para quem, com frequência, busca minimizar ou omitir fatos.

Nem sempre a mentira é proposital

Apesar de haver recomendação para se falar a verdade, julgamentos não cabem nesse assunto. Isso porque o paciente pode mentir tanto consciente, quanto inconscientemente, o que é esperado. Às vezes, a mentira que emerge pode ser fruto de fantasia ou distorção, mas é a "verdade" dele naquele momento.

"É um mecanismo de defesa não intencional", aponta Yuri Busin, psicólogo pós-graduado pela PUC-RS. Da mesma forma, sinais como discurso truncado ou evasão de temas propostos podem indicar resistência ou falta de prontidão para abordar certos assuntos. Na dúvida, o psicólogo ou psiquiatra devem ficar atentos.

Há pacientes não preparados para encararem a si e as suas próprias verdades, ou que ainda sofrem de transtornos, como a mitomania (mentira compulsiva). "Mas o tratamento não deve ser interrompido por isso de forma alguma. Só é indicado trocar de profissional se a conexão entre as partes não for estabelecida, ou o paciente não se sentir à vontade, mesmo passado algum tempo", continua Busin.

Como falar sobre si sem mentir

Revelar seu eu interior para alguém, por mais que seja um especialista em saúde mental, nem sempre é uma tarefa fácil. Mas deve ser feito, pelo bem do paciente. Se quiser contar algo que ocorreu de forma honesta e eficaz, planeje sua argumentação com antecedência, isso evita improvisações.

Na sessão, explique sobre qual problema ou área da vida deseja falar a respeito. Isso ajuda a criar pontos de referência para medir o progresso do tratamento e até a conduzir o terapeuta. "Lembre-se de que o ambiente da terapia é neutro, não há julgamentos, não há críticas. O psicoterapeuta tem o dever de acolher e procurar entender as suas demandas, assim como assegurar seu sigilo", explica Lauriano.

Portanto, não retenha informações, diga tudo o que vier, mesmo que não pareça relevante. Às vezes, o que parece pequeno ou sem importância pode, na verdade, estar conectado a padrões de pensamento, crenças ou questões mais profundas, fornecendo pistas valiosas sobre nossa personalidade, experiências e emoções.

Com dificuldades para se expressar, também são estratégias bem-vindas:

- Escrever uma carta ou fazer um esboço visual do que se está se sentindo;  
- Usar metáforas ou analogias, como: "Sinto-me como um barco à deriva";  
- Em vez de tentar explicar tudo de uma vez, divida o que deseja compartilhar em pequenas partes. Comece com uma e vá construindo a narrativa aos poucos;  
- Seja paciente consigo. Reconheça que é normal ter dificuldades para se expressar. Não se sinta pressionado a encontrar as palavras perfeitas de imediato;  
- Pausar, respirar fundo e ir devagar ajuda a organizar seus pensamentos e encontrar as palavras certas;  
- Diga ao terapeuta que você está tendo dificuldade para se expressar.

Fonte: Viva Bem

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