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title: Quando (e como) mudar o formato de currículo da sua IES
description: Ter o currículo atualizado é importante para qualquer instituição de ensino superior. Com as mudanças culturais e tecnológicas, isso pode ser desafiador.
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# [Quando (e como) mudar o formato de currículo da sua IES](https://instituicao.fundacred.org.br/news/quando-e-como-mudar-o-formato-de-curriculo-da-sua-ies)

 Written by [Redação](https://instituicao.fundacred.org.br/news/author/redação) | Mar 21, 2025 1:01:16 PM

Manter o currículo atualizado é um processo obrigatório para qualquer instituição de ensino superior (IES) que pretenda oferecer uma educação de qualidade. Entretanto, com tantas transformações culturais e tecnológicas em andamento, esse pode ser um trabalho particularmente desafiador para gestores e professores.   

Para começar, qual é o momento oportuno para uma atualização? E o formato a ser adotado?  

Neste texto, o **Desafios da Educação **apresenta os principais tipos de currículo e, com a ajuda da coordenadora de Negócios da [**+A Educação **](https://maisaedu.com.br/), [Raphaela Novaes ](https://www.linkedin.com/in/raphaela-novaes/), traz algumas dicas para as IES entenderem quando e como promover essa transição.  

## Tempo x timing  

A mudança de currículo requer um planejamento cuidadoso, que considere diretrizes institucionais e regulamentações educacionais. Também pode ser motivada por novas exigências mercadológicas.  

Algumas IES preferem fazer modificações **dentro de ciclos pré-determinados** — a cada quatro ou cinco anos, por exemplo. Para garantir uma transição menos impactante, o ideal é programá-la para períodos de baixa demanda acadêmica (entre semestres) e implementá-la com novas turmas de ingressantes, evitando, assim, prejuízos à continuidade dos alunos já matriculados.  

Mas o grande desafio em relação ao momento de fazer a mudança se refere muito mais ao *timing *do que ao tempo cronológico. Ou seja, **é preciso conhecer a realidade dos estudantes **para saber quando é hora de propor inovações curriculares que façam sentido para eles.  

## Pensando além das diretrizes  

Evidentemente, o novo currículo deve estar alinhado às [Diretrizes Curriculares Nacionais ](https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/diretrizes-nacionais-para-a-educacao)(DCNs). Essas normas, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), são responsáveis por orientar o planejamento dos sistemas de ensino e os conteúdos previstos.   

Raphaela Novaes, coordenadora de Negócios da +A Educação, vê a inovação curricular como uma oportunidade para expandir o ensino personalizado no ensino superior (Crédito: Divulgação/A+ Educação)

Nesse sentido, as DCNs têm um papel relevante, pois estabelecem parâmetros pedagógicos de qualidade para o ensino superior. O problema é que grande parte das IES acaba se limitando ao cumprimento de requisitos mínimos.

“Muitas instituições adotam o mesmo currículo há 10, 15, 20 anos, e só se atualizam quando surgem novas DCNs. Elas atendem ao básico, mas não fazem uma revisão do que é interessante para os estudantes de hoje. Só que **o ****currículo não pode ser estático, mas algo vivo **”, afirma Novaes.

## 5 sinais de que o currículo deve ser atualizado  

Rever o currículo é uma decisão estratégica que deve ser baseada em evidências. Identificar o momento certo para isso exige monitoramento constante e sensibilidade a mudanças culturais, no mercado de trabalho e no perfil dos estudantes.   

### Alguns sinais de que o currículo de uma IES precisa ser atualizado são:  

**Desconexão com o mercado**: quando as atividades profissionais demandam competências e conhecimentos que o atual currículo não contempla, é urgente atualizar a formação dos alunos para prepará-los para as novas realidades;

**Feedback negativo**: baixos índices de satisfação, evasão elevada ou queixas frequentes sobre a aplicabilidade do conteúdo sinalizam que o currículo precisa ser revisto;

**Baixo desempenho**: resultados insatisfatórios em avaliações e falta de engajamento podem ser indícios de que o currículo está desatualizado ou desconectado dos interesses dos estudantes;

**Inovações tecnológicas e pedagógicas**: a introdução de novas tecnologias e metodologias de ensino exige uma reformulação curricular, para integrá-las de maneira eficaz e melhorar a experiência de aprendizagem;

**Avaliações internas e externas**: análises periódicas de desempenho institucional e benchmarking (processo de comparar práticas e resultados com os de outras organizações para identificar boas práticas e oportunidades de melhoria) podem revelar defasagens no currículo.

## Que formato de currículo adotar?  

Identificada a necessidade de mudar o currículo da IES, surge um novo desafio: escolher o novo formato. Existem vários modelos, cada um com características distintas. A escolha deve estar alinhada com a missão da IES e o perfil dos estudantes.   

## Conheça os principais formatos de currículos:  

### Currículo tradicional  

Até pouco tempo atrás, esse era o formato vigente na grande maioria das instituições de ensino. Sua abordagem é centrada no professor, com cada matéria sendo ensinada de forma isolada em aulas expositivas.  

### Currículo por competências  

Modelo focado no desenvolvimento de competências e habilidades específicas que os alunos devem adquirir ao longo do curso. Sua abordagem busca estimular a aplicação prática do conhecimento, com ênfase em resultados e avaliação do desempenho dos alunos.  

Clique [aqui](https://desafiosdaeducacao.com.br/curriculos-projetos-competencias/) para entender o que é preciso fazer para oferecer uma formação mais “mão na massa”.

### Currículo integrado  

Combina diferentes áreas do conhecimento e explora temas que exigem a intersecção de disciplinas para uma compreensão mais holística. O objetivo é promover um aprendizado abrangente e contextualizado.  

### Currículo modular  

O conteúdo é estruturado em módulos, que podem ser estudados separadamente. Dessa maneira, o formato proporciona flexibilidade para o aluno avançar em seu próprio ritmo.  

### Currículo híbrido  

Esse modelo mescla métodos utilizados no ensino presencial e na educação a distância (EaD). O uso de ferramentas digitais visa promover um aprendizado flexível e adaptável, enquanto a presencialidade busca garantir mais interação.  

Continue lendo sobre [ensino híbrido](https://desafiosdaeducacao.com.br/blended-learning-e-flipped-classroom-inovacao-dentro-e-fora-da-sala-de-aula/).

### Currículo por eixos temáticos  

Organizado em torno de temas centrais ou eixos que integram diversas disciplinas, o formato propõe uma abordagem mais abrangente de determinados conteúdos. Dessa forma, incentiva a discussão e o aprofundamento em temas complexos, como sustentabilidade, cidadania ou inovação.  

### Currículo progressivo  

Modelo que estrutura o aprendizado em níveis de complexidade crescente. Os conteúdos se desenvolvem de forma sequencial, proporcionando uma construção gradual do conhecimento, com ênfase em habilidades e conceitos que se acumulam.  

### Currículo flexível  

Permite que os estudantes escolham disciplinas e atividades de acordo com seus interesses e necessidades. É um formato que proporciona mais autonomia na formação, já que se molda às preferências dos alunos e dá ênfase em trajetórias de aprendizado personalizadas.  

### Currículo interdisciplinar  

Muito semelhante ao currículo integrado. O foco aqui está na colaboração entre professores e na construção conjunta de conhecimento sobre um mesmo tema, mas com diferentes perspectivas disciplinares.  

## Etapas para a transição de currículo  

Uma vez definido o novo currículo, a implementação deve ser gradual e acompanhada de um processo constante de avaliação. Esse trabalho envolve a aplicação de novas disciplinas ou métodos de ensino, assim como a coleta de feedback dos alunos e professores para monitorar a eficácia das mudanças.   

### Confira, a seguir, as principais etapas para transição de currículo:  

1. **Análise do atual currículo**: nessa etapa, a IES tomará conhecimento do que precisa ser aprimorado ou evitado no processo. O diagnóstico pode ser feito com base em pesquisas sobre o mercado de trabalho, feedback de estudantes e docentes e indicadores de desempenho do currículo vigente. Além disso, é recomendável fazer consultas com stakeholders, como empresas parceiras e conselhos profissionais, para alinhar o novo currículo às atualizações do mercado.
2. **Planejamento estratégico**: ao tomar conhecimento das mudanças necessárias, a IES deve definir como integrar novas tecnologias ou adotar competências específicas. Também é essencial criar uma equipe para conduzir essa transição.
3. **Desenvolvimento**: primeiramente, é preciso elaborar um esboço do novo currículo, com base em tendências de ensino e novas demandas do campo profissional. O ideal é que esse modelo seja apresentado à comunidade acadêmica, que poderá dar um feedback crítico e sugerir eventuais melhorias.
4. **Regulamentação**: o novo currículo deve receber o aval de instâncias acadêmicas superiores e órgãos reguladores, para assegurar que esteja em conformidade com as diretrizes da IES e as normativas do Ministério da Educação (MEC).
5. **Implementação e adaptação**: de preferência, o novo currículo deve ser lançado para turmas ingressantes, permitindo que os alunos em cursos já iniciados continuem no modelo antigo — com a opção de migração, quando viável. É necessário oferecer treinamento para os docentes, adaptando metodologias e conteúdos ao novo formato.
6. **Monitoramento**: as instituições devem estabelecer métricas de sucesso, como taxas de conclusão, satisfação e empregabilidade dos egressos. Dessa forma, fica mais fácil revisar e ajustar o currículo continuamente com base em avaliações internas e feedback dos envolvidos.

## Equilíbrio é a chave   

Inspirada pelo dinamarquês **Knud Illeris **— especialista em [lifelong learning ](https://desafiosdaeducacao.com.br/tecnologias-educacionais-lifelong-learning/)e autor do livro *[Teorias contemporâneas da aprendizagem](https://loja.grupoa.com.br/teorias-contemporaneas-da-aprendizagem-ebook-p986509) *— Raphaela Novaes acredita que o processo educacional deve primar pelo equilíbrio entre conteúdo, incentivo e interação. “Sem um desses elementos, a aprendizagem não acontece”, justifica.   

Esse entendimento foi fundamental quando a gestora passou pela experiência de ajudar instituições de ensino superior a promoverem mudanças de currículo. Ela lembra que, ao orientar o processo junto aos coordenadores de uma IES, o primeiro passo foi optar pela **implementação de metodologias ativas **. A seguir, foi definida a mudança estrutural no currículo.  

Como embasamento teórico, Novaes adotou o **ensino com base em competências **proposto pelo sociólogo suíço [Philippe Perrenoud ](https://loja.grupoa.com.br/selo-penso#&search-term=perrenoud), autor de diversos livros publicados pelo [selo Penso ](https://loja.grupoa.com.br/). “Incentivamos diferentes habilidades e recursos que o estudante deveria aprimorar para resolver problemas complexos. E, para isso, **associamos o currículo por competências com aprendizagem baseada em projetos **”, explica Novaes.  

A metodologia da IES consistia em estimular que os estudantes desenvolvessem três competências ao longo do período, cada uma em um projeto. Além disso, a separação por disciplinas foi abolida, com o conteúdo integrado em um único eixo.   

Ao explorar esses diferentes métodos, a educadora chegou à conclusão de que, para um currículo atender aos estudantes da melhor forma possível, não poderia se fechar em uma única “caixinha”.  

“Criou-se uma cultura de que se você estiver utilizando um novo modelo pedagógico — no caso, metodologias ativas —   não poderá dar mais aulas expositivas, apenas apresentar estudos de caso. Só que daí estamos trocando uma caixinha por outra”, argumenta. “Isso é o que tínhamos há 50 anos: um cenário no qual as pessoas eram formadas para atuar em processos repetitivos. Hoje, precisamos justamente do contrário, um modelo de educação que transforme as pessoas e as estimule a pensar.”  

## Mudança de mentalidade   

Independentemente do formato escolhido, a mudança de currículo deve ser **resultado de uma decisão institucional **. Segundo Raphaela Novaes, a adoção da nova abordagem de forma “solitária” por um ou outro professor pode confundir os estudantes. Porém, quando ela é adotada pela IES como um todo, fica mais fácil fazer a transição de formato.  

O segundo passo é capacitar o corpo docente. Muitas vezes, os professores não estão preparados para essa mudança e temem o uso de novas tecnologias e metodologias.  

Segundo a gestora, uma boa forma de quebrar essa barreira é abrir espaço para experimentações. “Não existe aprendizagem sem erro. Para avançar, tanto professores quanto alunos precisam sair de suas zonas de conforto”, defende. “Mas, é claro, as instituições de ensino precisam oferecer capacitação e subsídios tecnológicos para isso.”  

Fonte: Desafios da Educação

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